Emprego nas atividades culturais e criativas em Portugal

Ana Paula Miranda e José Soares Neves

Publicado a 28 de agosto de 2019 

O Instituto Nacional de Estatística (INE) produz e divulga estatísticas do emprego das atividades culturais e criativas. Neste texto toma-se como referência a série temporal 2008 a 2017.

Estas atividades incluem o comércio a retalho desses bens, em estabelecimentos especializados; a edição de livros, de jornais e de outras publicações; atividades cinematográficas, de vídeo, de produção de programas de televisão: atividades de gravação de som e de edição de música; atividades de televisão e de rádio; atividades de design; atividades fotográficas; atividades de teatro, de música, de dança e outras atividades artísticas e literárias e atividades das bibliotecas, arquivos, museus e outras atividades culturais (INE, 2018: 287).

Numa primeira análise podemos verificar que os números relativos à população empregada neste sector variam entre 73,1 mil em 2013 e 85,2 mil em 2015. Em 2017 o sector representa 81,3 mil indivíduos, o que significa uma diminuição de 2,4 mil face a 2008, o primeiro ano da série em análise, com 83,7 mil pessoas empregadas neste sector (gráfico 1).

Embora com oscilações, constata-se uma diminuição de 2008 para 2013, ano em que se regista o valor mais baixo da série (73,1 mil). Este ano marca uma inversão de tendência para um crescimento que atinge em 2015 o valor mais elevado (85,2 mil) da série, mas que decresce fortemente nos anos mais próximos. No período considerado a média anual de pessoas a trabalhar no setor cultural e criativo é de 79,1 mil.

No gráfico 2 podemos verificar que a percentagem do emprego cultural e criativo no emprego total varia entre 1,5% (2009) e 1,9% (2015). Em 2017 verifica-se ainda, também deste ponto de vista, a tendência de decréscimo iniciada em 2015.

Especificamente quanto ao emprego no sector cultural e criativo, constata-se que as mulheres têm um peso similar ou são ligeiramente minoritárias em relação aos homens (gráfico 3). Na série em apreço só em 2009 se verifica que as mulheres são maioritárias (53% contra 47%).

Tendo em conta a idade, verifica-se uma alteração significativa quanto ao escalão que agrega o maior número de empregados: ao passo que em 2008 é o escalão 25-34 anos (32,5 mil), em 2017 é o escalão 34-44 anos (28 mil), em resultado de evoluções de sentido inverso.

Por outro lado, com exceção do escalão 25-34 anos, evidenciam-se tendências de crescimento em todos os grupos etários. Dos 35 aos 44 anos, o número de trabalhadores aumentou de 20,6 mil em 2008 para 28 mil em 2017, o que representa um aumento de 10%, seguido do segmento dos 45 aos 54 anos, em que o número de trabalhadores é de 14,1 mil em 2008 e 16,2 mil em 2017, do segmento dos 55 e mais anos em que o número de indivíduos é 9 mil em 2008 e passou para 10,2 mil em 2017, por último, em 2008, 7,5 mil jovens com idades compreendidas entre os 15 e os 24 anos estavam empregados em atividades culturais e criativas e em 2017, eram 8,2 mil (gráfico 4). 

Do ponto de vista da escolaridade é notória a tendência para níveis de qualificação superiores, que passam de 22,3 mil em 2008 para 35,7 em 2017, à custa da diminuição dos empregados com níveis até ao 3º ciclo que diminuem de 33,3 mil em 2008 (ano em que é o nível mais significativo em termos percentuais) para 16,6 mil em 2017 (gráfico 5).

Nota metodológica:

O Instituto Nacional de Estatística (INE) recolhe informação sobre a população ativa e inativa desde a década de setenta, inicialmente com o Inquérito Permanente ao Emprego, realizado semestralmente no Continente. A importância crescente de novos domínios socias, a entrada na Comunidade Económica Europeia e a necessidade de comparar resultados entre países, impôs um aperfeiçoamento das estatísticas. Foram celebrados contratos entre o Eurostat e o INE de modo a compatibilizar o inquérito nacional com o comunitário Labour Force Survey – LFS. A partir de 1983 o inquérito passou a ter a designar-se Inquérito ao Emprego, a abranger todo o território nacional (Regiões Autónomas e Continente), periodicidade trimestral, por amostragem, com alterações ao nível da amostra, dimensão, questionário e os dados divulgados tiveram como referência as estimativas da população com base no Censos 2011 (INE, 2016: 5-6).

Em 2016 o Eurostat concordou em alargar as estatísticas no âmbito da cultura, tal como tinha sido proposto no relatório ESSnet Culture Statistics (Bina et al., 2012). A alteração foi implementada nas estatísticas do emprego cultural a partir de 2011 (Eurostat, 2018: 8).

No relatório ESSnet Culture Statistics consideram-se "10 domínios culturais e 6 funções, a partir das quais se estabelecem as atividades culturais e criativas. Considerando a Classificação das Atividades Económicas - Rev.3 (CAE - Rev.3) a definição do sector cultural e criativo abrange 29 classes a 4 dígitos” (INE, 2011: 221).

Por sua vez, a desagregação máxima do apuramento por CAE só é possível por grupo, isto é, considerando os 3 dígitos da CAE – Rev.3. Deste modo, no apuramento do emprego nas atividades culturais e criativas são consideradas as seguintes divisões e grupos: 476, 581, 591, 592, 601, 602, 741, 742, 90 e 91 (INE, 2018: 287).

 

Empregado, “Indivíduo, com idade mínima de 15 anos, que no período de referência se encontrava numa das seguintes: a) tinha efetuado um trabalho de pelo menos uma hora, mediante o pagamento de uma remuneração ou com vista a um benefício ou ganho familiar, em dinheiro ou em géneros; b) tinha um emprego, não estava ao serviço, mas tinha uma ligação formal com o seu emprego; c) tinha uma empresa, mas não estava temporariamente ao trabalho por uma razão específica; d) estava em situação de pré-reforma, mas encontrava-se a trabalhar no período de referência.” (INE, 2011: 39).

Âmbito temporal e geográfico:

Portugal

Referências

Bina, Vladimir et al. (2012), ESSnet-Culture Final Report, Luxemburgo, ESSnet Culture e Eurostat, 556 pp.

Eurostat (2018), Guide to Eurostat Culture Statistics — 2018  edition, Luxemburgo, União Europeia.

INE (2018), Estatísticas da Cultura 2017, Lisboa, INE.

INE (2016), Documento Metodológico Inquérito ao Emprego – 2016, versão 3.1., Lisboa, INE.

INE (2011), Documento Metodológico Inquérito ao Emprego – 2011, versão 2.0, Lisboa, INE.

INE (2011), Estatísticas da Cultura 2010, Lisboa, INE.

INE (2007), Classificação Portuguesa das Atividades Económicas, Revisão 3, Lisboa, INE.

Webgrafia

INE – Instituto Nacional de Estatística, <www.ine.pt>.

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